sábado, 17 de setembro de 2011

O Deus do Ateu.

"Os humanos já dão muito trabalho para ficar me preocupando com Deus."
"Charles Chaplin"
 
A maioria das pessoas por desconhecimento acredita que o ateísmo é homogêneo. Não é.

Diferente do agnosticismo, definida de maneira magistral por Carlos Drummond de Andrade (1)
resumindo em uma frase as intermináveis elucubrações filosóficas de Kant e Hume:
                   "
O agnóstico é o que desconfia da existência de Deus."

O ateísmo nem desconfia da existência de deus(es), porém não nega (e nem pode)
a possibilidade de existir, pois não é possível negar o que não se tem conhecimento.

Assim como os teístas não se entendem sobre a divindade de Deus,
os ateístas não se entendem sobre o como classificar seu movimento. (2)

E o que atrapalha é a definição estapafúrdia do sufixo "ismo",
que sofre uma metamorfose e é transformado no substantivo "crença".
Não é nada disso.

Tanto o "-ismo" aplicado no "Theos", quanto no "Átheos",
não tem relação com crer ou não em uma divindade, mas sim em a seguir ou não.

Três coisas inegáveis movem o humano, a razão, a emoção e o instinto,
a primeira imprime diretrizes de comportamento,
mas dependendo da reação da segunda,
a terceira age.

E é demonstrada na maior religião do planeta, o futebol.

É um tanto ridículo que um esporte praticado por elementos de calção e camiseta
e cuja beleza reside na plástica do balé ao conduzir uma pelota,
tenha se transformado em objeto de devoção, mas foi.

São preces, rogos, súplicas e promessas para ação divina interferir no acontecimento.
Disto indistintamente participam todos e embora não reze o ateu torce.

Este sentimento é inerente ao ser e não há como controlá-lo, nada tem a ver com a "fé",
imposta pelos romanos com a intenção de criar "rebanhos" fiéis a sua liturgia.

Assim como não se pode especular sobre o que existe
no horizonte de eventos do outro lado do buraco negro,
não é possível descartar a possibilidade da existência de um Ente,(3)
diferente de toda a lógica da cadeia racional.

O ateísmo denuncia o dogma fundamentado no que não existe,
denuncia o uso do nome de deus(es) o(s) utilizando para alçar o poder através do meio político,
denuncia a ostentação religiosa, denuncia a condenação ao inferno e falsa promessa do paraíso.

Concluindo, um ATEU não nega o que desconhece, só não segue o desconhecido


Cãriùá TaTaRaNa.

1) na Praça Saens Pena nos distantes anos 80.
2) existem até os que vem a religião como necessária.
3) com ou sem os  prefixos "oni-", que lhe atribuem.


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